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A comunidade jurídica brasileira perdeu hoje Octávio Gallotti, ex-Ministro do STF, que faleceu aos 95 anos. Ele integrou a Corte de 1984 a 2000 e a presidiu entre 1993 e 1995. Carioca, formado em Direito pela antiga Universidade do Brasil (hoje UFRJ), vinha de uma verdadeira dinastia de juristas, pois o pai, Luiz Gallotti, também presidiu o STF e o TSE, e o avô materno, Antônio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, foi ministro do Supremo entre 1917 e 1931. Antes de chegar à Corte, Gallotti fez carreira no Tribunal de Contas da União, que chegou a presidir. Gallotti foi o último ministro nomeado ao STF ainda durante o regime militar, em 1984, chegando à Corte não pela magistratura tradicional, mas vindo do Tribunal de Contas. Foi, ainda, o último Ministro do STF oriundo do Tribunal de Contas. Como presidente do STF, comandou um dos julgamentos mais marcantes dos anos 1990: a Ação Penal 307, em dezembro de 1994, em que o Supremo absolveu Fernando Collor da acusação de corrupção passiva no caso PC Farias, já depois da renúncia dele à Presidência. Entre 13 e 15 de junho e de 4 a 6 de agosto de 1994 exerceu, na condição de Presidente do STF, a presidência da República, em substituição ao titular Itamar Franco, em razão da ausência dos demais na linha sucessória. Em depoimento à FGV, Gallotti contou como foi convidado a ser Ministo do STF. Numa noite de sábado, recebeu um telefonema do ministro Leitão de Abreu, chefe da Casa Civil, perguntando se ele poderia passar na casa dele no dia seguinte. Gallotti nunca tinha ido lá. Foi dirigindo o próprio carro e, ao chegar, ouviu o convite de supetão para a vaga no Supremo. Com bom humor, ele mesmo reconheceu que sua escolha veio um pouco pelo esgotamento das opções: Figueiredo já havia nomeado oito ministros e as pessoas mais próximas do presidente pareciam ter acabado. Teve dois filhos, Luiz Gallotti Neto e Isabel Gallotti, ministra do STJ.

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