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A primeira projeção, que na Alemanha costuma acertar, dá à AfD uma vitória folgada na eleição estadual da Saxônia-Anhalt, no leste do país. São cerca de 44,5% dos votos, quase 24 pontos a mais do que em 2021 e o melhor resultado que o partido já teve. Desde 2023 o serviço de inteligência doméstica do estado classifica a AfD como "comprovadamente extremista de direita", porque o partido defende uma concepção étnica de quem é alemão e nega que imigrantes e muçulmanos pertençam à sociedade em pé de igualdade. A AfD quer a "remigração", ou seja, a expulsão em larga escala de estrangeiros, e o fim das sanções à Rússia. Seu candidato, Ulrich Siegmund, esteve na reunião secreta de Potsdam em 2023, na qual foi apresentado um plano de deportações em massa. Segundo a imprensa, ele defendeu ali "pressionar restaurantes estrangeiros" e tornar a vida dos imigrantes "o mais desagradável possível" para que fossem embora. A CDU, partido de centro-direita do chanceler Friedrich Merz, governava o estado desde 2002 e caiu para 18,5%. A Linke, de esquerda socialista, ficou com 9,5%, e os Verdes com 9%. O SPD, social-democrata e sócio de Merz em Berlim, teve 8%. A BSW de Sahra Wagenknecht, que combina economia de esquerda com posições anti-imigração e pró-Rússia, entrou com 5%. O liberal FDP, com 2%, ficou fora do parlamento. Sem a AfD só existe maioria se os outros cinco partidos, da CDU à Linke e à BSW, se juntarem. A alternativa é romper o chamado "muro de proteção", a Brandmauer, o compromisso de todos os partidos alemães de não governar com a extrema direita. Ou seja, os demais partidos vão ter de escolher entre uma coalizão dessas, um governo minoritário ou levar a AfD pela primeira vez a um governo estadual.

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