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Um traço marcante de nossa história é a dependência, política e cultura, trazida da antiga Colônia ao Reino de Portugal. Inclusive a Independência, em 1822, comemorada nesse 7 de setembro, foi obra da família real, que aqui morava desde 1808, quando fugiu de Napoleão Bonaparte em Portugal. Nossa Independência, na verdade, unificou a monarquia. Continuamos dependente das ordens do Rei por muito tempo ainda. Nos EUA, ao contrário, já em 1776, portanto 46 anos antes, as 13 Colônias se libertavam da Grã-Bretanha para construir uma nação federalista, liderada por ideias iluministas. A ordem era empreender, progredir. Lá, influenciada pelo protestantismo aqui, subjugada ao catolicismo. Dessa origem nos acostumamos a venerar o poder que vem de cima. Veio, em 1889, a República, mas continuamos pacatamente aguardando as ordens superiores. Aceitamos a subjugação, tornamo-nos condescendentes com os desígnios, e as falcatruas, da "Corte". Os bacanais se espalharam pela oligarquia. Dessa formação histórico-cultural se origina a classe política dominante, cujo traço mais constante é o populismo. Ao invés de emancipar o povo, o mantém iludido; em vez de ensiná-lo a progredir, por conta própria, ensina-o a pedir bençãos e favores. Cultiva a gratidão. Independência, de verdade, leva à emancipação, de nações e das pessoas. Um dia chegaremos lá.

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