Ontem, dia 11, quarta-feira, agosto, assistimos a estreia em Porto Alegre do novo filme do Jorge Furtado, "Muito Prazer". Não sou crítico de cinema, mas como cinéfilo militante e amante dos bons filmes que nos aproximam da Humanidade que sofre, ama, luta e ri - distante do excesso dos efeitos especiais e dos roteiros lamurientos - não posso deixar de recomendar o filme do Jorge. Faço-o por inferência, lembrando alguns filmes clássicos (para o meu gosto) que se vinculam à estética e aos conteúdos imediatos do mundo real, dentro e fora de redes, com muito prazer": Pasqualino Settebeleza (1975), de Lina Wertmüller; Minnie e Moskowitz (1971), de John Cassavetes; Amarcord (1973), de Fellini, este nas passagens mais mundanas da vida urbana comum. O filme do Jorge, com atores de primeira grandeza e uma montagem brilhante do Giba Assis Brasil, é irônico, gostoso, lúdico, simples e sério. E alegre. O roteiro mostra as situações sem saída dentro dos cânones tradicionais, que as pessoas enfrentam para a recuperação de um negócio ("sem prejudicar qualquer pessoa") como atividade "empreendedora",já situada numa "zona gris". Atenção, nesta zona o empreendedor está sempre entre a legalidade e o "crime", situação normal para qualquer um que queira sobreviver por sua própria conta, na sociedade em rede comandada pelos algoritmos manipulados. É o pesadelo de viver numa época em que a cretinice global abstrata - amanhã mesmo - pode se tornar concreta e tornar aqueles indivíduos reais que brigam para viver, primeiro pessoas culpadas por serem derrotados na vida, depois estatísticas frias de um desastre. Não percam, não é lamuriento, não tem efeitos especiais. Não é paternalista e não romantiza a pobreza. É um belo, bem humorado e grande filme de luta pela vida! Mais um do Jorge Furtado.
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