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O ponto mais preocupante na decisão de André Mendonça é o efeito político que ela produz. Em plena eleição, ele afasta o diretor-geral e o diretor de Inteligência da PF. Horas depois, 11 diretores colocam os cargos à disposição e a cúpula da instituição entra em crise. E Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, recebe isso com comemoração, chama a PF de “grupo de Lula” e transforma o episódio em trunfo para sua campanha. A decisão não ficou restrita aos autos e mudou o ambiente político da eleição. Produziu uma crise institucional, atingiu a imagem da PF e, imediatamente, forneceu a um candidato uma narrativa pronta contra o governo. O efeito político está aí, escancarado. E é justamente por isso que o timing importa tanto. De um ministro do Supremo, se espera cautela redobrada para não produzir, às vésperas de uma eleição, um resultado político tão direto e tão conveniente para um dos lados. Independentemente do fundamento jurídico, uma decisão judicial também tem consequências políticas. E essa consequência, aqui, caiu no colo de Flávio Bolsonaro no meio da campanha. Episódio grave e muito preocupante.

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