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Então vamos falar de traição. Meu momento mais vala, mais fossa, mais esgoto emocional foi quando eu fui visitar meu então namô (era mesozóica) sem avisar, tipo surpresa (não faça isso). Fui a pé até a casa dele. Começou a garoar. Eu apertei o passo pra chegar logo. E quando avistei a casa dele, de longe, vi ele, com uma garota, a ex-dele, abraçados, entrando pelo portãozinho. Congelei. Perdi o chão. Minhas pernas tremiam. Encostei num poste para não cair. E, enquanto eles entravam rindo pela porta eu escorregava as costas pelo poste até sentar na sarjeta. A chuva apertou. Fechei os olhos e já não sabia mais o que era lágrima, o que era chuva, o que era dor, o que era amor, o que era a vontade de ser tragada pelo bueiro nos meus pés. Só sei que tudo era vontade de não existir para não sofrer tanto. Porque ser traido rouba da gente nosso maior tesouro, a capacidade de acreditar no outro.

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