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Existe uma dificuldade enorme em mostrar aos bolsonaristas radicais as fake news, as invenções e os absurdos praticados por integrantes da família Bolsonaro e por seus aliados e apoiadores na política. E não estou falando apenas de uma ou outra declaração. Estou falando de corrupção, de investigações, denúncias, uso indevido de dinheiro público, rachadinhas, favorecimentos e tantos outros episódios que deveriam, no mínimo, provocar indignação. Mas não provocam. E talvez aí esteja a explicação. Existe uma identificação tão forte com esse grupo que determinadas coisas deixam de causar revolta. A pessoa passa a justificar no político aquilo que condenaria imediatamente se fosse praticado por alguém do outro lado. A corrupção vira perseguição. A denúncia vira ataque político. A fake news vira “narrativa”. O absurdo passa a ser aceitável porque foi cometido por quem ela escolheu defender. E talvez seja justamente por isso que seja tão difícil romper essa bolha. Porque não estamos falando apenas de defender um político. Estamos falando de defender uma imagem de mundo na qual admitir que o seu lado também pode estar errado significa, de alguma forma, admitir que você também errou. É o voto por identificação levado ao limite. A pessoa não escolhe apenas alguém para representá-la. Ela escolhe alguém com quem se identifica e passa a justificar até aquilo que, em outra circunstância, jamais aceitaria. Por isso, alguns absurdos já não escandalizam. Eles apenas encontram uma desculpa.

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