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O ministro Luiz Fux decidiu inventar uma nova teoria jurídica: segundo ele, não existe golpe de Estado sem a derrubada efetiva de um governo eleito. É como dizer que não há tentativa de homicídio se a vítima não morrer. A lógica é absurda e perigosa, porque transforma conspirações contra a democracia em meros “ensaios” toleráveis. Ao absolver o traste e seus cúmplices do crime de organização criminosa e afastar a responsabilidade pelos danos ao patrimônio, Fux cria brechas que enfraquecem a resposta institucional. A mensagem subliminar é a de que a democracia só merece defesa plena quando já foi destroçada antes disso, caberia relativizar. Esse tipo de voto não é neutro, é político. Ao suavizar a gravidade da trama, Fux alimenta a narrativa dos golpistas e dá munição para a extrema direita questionar o julgamento. Em vez de um recado firme contra o ataque ao Estado Democrático de Direito, o que se vê é um malabarismo retórico que mascara complacência. O STF está diante de um divisor de águas. Se cada ministro adotar a lógica de Fux, a democracia brasileira corre o risco de virar refém de interpretações “flexíveis”, em que conspirações armadas só se tornam crimes de fato quando já é tarde demais. TRASTE PRESO

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