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Ontem, ao buscar minha filha na escola, acabei esbarrando no retrovisor de um carro de luxo que estava parado em fila dupla – algo que sempre acontece na porta da escola nesse horário. Percebi o toque e segui um pouco mais para frente para não travar ainda mais o trânsito, com a intenção de estacionar e falar com o motorista. Antes que eu pudesse sequer descer do carro, o dono do veículo atravessou o carro na frente do meu e já saiu me xingando, alegando que eu havia quebrado o retrovisor dele. Tentei manter a calma e pedi para ele tirar o carro da frente do meu para que pudéssemos conversar, além de ressaltar que ele estava parado de forma errada. Mas ele começou a gritar ainda mais. Quando percebeu que meu marido estava ali, esperando na calçada com minha filha, soltou a pérola: “Ainda bem que tem um homem com você, porque aí dá para ter uma conversa de homem para homem.” Meu marido, que viu toda a cena desde o início, respondeu que eu era perfeitamente capaz de resolver meus próprios problemas e que aquela atitude era puro machismo. A resposta só deixou o cara mais alterado. Ele gritava ainda mais alto, tudo isso na porta da escola, na frente de várias crianças e adolescentes. Foi quando, de repente, chegaram mais dois carros de luxo. O homem então disse: “Eu tô armado, sou policial! E esses aqui são meus amigos, também são policiais e também estão armados. Imagina se não fôssemos do bem?” Nesse momento, eu avisei que chamaria a polícia – e chamei mesmo. Mas quando os policiais chegaram, eram amigos deles. Fizemos o boletim de ocorrência, mas ficou claro que ele só havia ficado irritado porque uma mulher ousou apontar o erro dele. O retrovisor não estava quebrado, era apenas um pretexto para me atacar. Detalhe: além dos amigos chegando em carrões, o próprio valentão também estava em um carro de luxo. E não eram quaisquer carros – eram veículos que o salário de um policial não paga. Mas, pelo visto, ele se sentia confortável o suficiente para se exibir sem medo. O ego dele era tão grande quanto os automóveis e tão frágil quanto o retrovisor que ele jurava estar quebrado. Resolvi postar essa história como uma forma de proteção. Se algo acontecer comigo, como um assalto “aleatório” que termine na minha morte, que esses policiais sejam devidamente investigados.

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