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O moralismo seletivo de Júlia Zanatta Júlia Zanatta tem todo o direito de ter ido a Ibiza, frequentado uma balada e se divertido em 2014. O problema não é esse. O problema é o moralismo seletivo que ela passou a vender depois de entrar na política. A própria página oficial da deputada hoje apresenta entre suas bandeiras a “defesa das famílias” e o lema “Deus, Pátria, Família e Liberdade”. Agora, internautas resgataram uma publicação feita por ela em 2014, durante uma viagem a Ibiza. O vídeo voltou a circular justamente porque expõe a distância entre a vida real de uma pessoa e o personagem político moralista que ela construiu posteriormente. Ninguém precisa ser contra festa, bebida, balada ou diversão. O que não dá é posar de fiscal dos costumes alheios enquanto tenta impor uma régua moral para toda a sociedade. O feminismo sempre criticou exatamente isso, a ideia de que determinados políticos podem dizer às mulheres como elas devem se vestir, se comportar, constituir família ou viver sua sexualidade. Júlia pode ter mudado de opinião ao longo dos anos. Isso faz parte da vida. Mas, se mudou, precisa explicar por que hoje defende uma agenda moral tão diferente daquela realidade que também fez parte da sua própria trajetória. O problema não é o que ela fez em Ibiza. O problema é usar “família” e “bons costumes” como discurso político para julgar os outros. Porque liberdade, quando é para valer, precisa valer também para quem não vive de acordo com a cartilha moral da extrema direita.

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