O caso de João Lucas Brito é mais do que um episódio de racismo. É o retrato de um país onde ainda existe gente que acredita que determinados lugares da sociedade têm dono.
João nasceu e cresceu na Comunidade do Cardoso, no Recife, é bolsista integral do ProUni e será o primeiro médico da família. Está no 11º período de Medicina, cursa doutorado em Saúde Integral e pesquisa desigualdades étnico-raciais e territoriais relacionadas à maternidade na adolescência.
Mesmo assim, ao publicar suas fotos de formatura, precisou ler que era um “favelado” que não deveria ter entrado em Medicina e que estaria em breve “matando” pessoas com um CRM.
O mais simbólico é que João não rejeitou sua origem. Ao contrário. Ele decidiu assumir a palavra “favelado” e transformá-la em orgulho.
Porque o problema nunca foi ele ser favelado.
O problema é alguém ainda acreditar que ser favelado é incompatível com ser médico.
João está chegando onde disseram que ele não poderia chegar. E pretende voltar para sua própria comunidade para cuidar de quem veio do mesmo lugar que ele.
Isso incomoda muito mais do que qualquer jaleco.
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