Para mim existe sempre algo de perturbador na condescendência com que muitos falam do MBL como se o grupo fosse um bando de moleques retardados que não sabem de muita coisa.
Veja, o MBL se firmou por onze anos como basicamente o único movimento político da era digital a alcançar relevância no Brasil. Ele conseguiu, ao mesmo tempo, manter-se como oposição crítica e aguerrida a dois governos, fundar um partido político, manter um orçamento empresarial enxuto com inúmeras atividades de alta complexidade sendo executadas simultaneamente, e agora estreia em uma campanha presidencial representando um nicho eleitoral fiel que é, no mínimo, igual ao de dois governadores de estado.
Aí a gente vê a condescendência das pessoas que falam e eu pergunto: quem são vocês? Por que se acham habilitados a proferir um julgamento de cima pra baixo desse jeito? Exatamente, o que vocês conquistaram por si mesmos?
O fato de que o MBL surge na era da política digital e fala para milhões de jovens, muitos dos quais com problemas de socialização (que são problemas da juventude em todo o globo), dá um tipo de inflexão estética que muita gente não gosta. Compreendo. Mesmo assim, essa dimensão é um recorte dentro do imagético no MBL, e é também algo profundamente representativo do estado atual da juventude brasileira.
O que me perturba é que, nessa condescendência, existe não só uma falta de apreciação crítica sobre os méritos do objeto de desprezo como há outra coisa muitas vezes: uma falta de clareza sobre quem se é.
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