Outro dia, um seguidor me cobrou por eu ter reconhecido o bom preparo de @FlavioBolsonaro no debate do 1º turno. Respondi que minhas críticas a ele estão públicas e que não aplaudo quem não merece. Essa régua vale para Flávio, para Jair, para amigos, filhos, pais e, sobretudo, para mim. Ninguém é mais cobrado por mim do que eu mesmo.
Feito o registro, vamos à reportagem exibida pelo Jornal Nacional na quarta-feira (21). A matéria mostra uma sala-cofre escondida atrás de uma parede falsa num hangar do Aeroporto de Brasília, usado por empresas do advogado Willer Tomaz. A porta é aberta, e o espaço está vazio.
Segundo a PF, a sala serviria para guardar dinheiro em espécie. A defesa de Tomaz afirma que o local atende transportadoras de valores, clientes de sua empresa de aviação. Caberá à investigação dizer quem tem razão. Até lá, convém lembrar o óbvio: cofre se esconde, não se exibe. E um cofre vazio, por si só, não prova nada.
A sala foi encontrada em agosto, numa fase da Operação Sem Desconto, sobre fraudes no INSS, que apurava suspeitas de lavagem de dinheiro para o senador Weverton Rocha (PDT-MA). Flávio não era investigado naquela operação. Ainda assim, a reportagem associa o caso a ele, pela amizade com o advogado e por outro inquérito.
Amizade não é prova. Sou um cidadão comum e, entre mim e @POTUS, há duas pessoas; entre mim e Jair, uma. Se eu fosse senador, a distância seria zero. O próprio Tomaz transita por vários espectros políticos: é sócio do ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão, que advogou na última campanha de Lula.
Quanto ao inquérito, é fato que Flávio e Tomaz são investigados no STF por suspeita de lavagem de dinheiro. Ambos negam, e a defesa de Tomaz chama a quebra de seu sigilo de "pescaria probatória" com fins eleitorais. O caso foi sorteado para o ministro Alexandre de Moraes, o mesmo que a defesa de Flávio pediu que fosse declarado suspeito em outro processo, o do Banco Master, alegando relação entre o magistrado e o banqueiro Daniel Vorcaro. Até onde se noticiou, esse pedido não foi julgado.
Sobre o sorteio, não afirmo que tenha havido manipulação. Afirmo que ninguém pode conferi-lo. Em 2024, o então presidente do STF, Luís Roberto Barroso, autorizou uma auditoria independente no sistema de distribuição de processos e, dias antes da data marcada, a suspendeu, alegando risco de ataques hackers. Um sistema que não se deixa auditar não inspira a confiança que o princípio do juiz natural exige.
Investigado, porém, não é condenado: a Constituição garante a presunção de inocência até o trânsito em julgado. Que respondam no processo, com amplo direito de defesa. O que me incomoda é outra coisa. Exibir um cofre vazio a quatro dias do 2º turno coloca o candidato sob suspeição sem que o devido processo legal tenha tempo de fazer seu trabalho.
Por fim, Flávio precisa cuidar melhor de seu entorno. Por todo lado, surgem proximidades com gente "complicada". Não faço a mesma recomendação a @LulaOficial: depois de 50 anos de vida pública e de governos marcados pelo Mensalão e pelo Petrolão não caberia "novos rumos".
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