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Sabe, sou filho de um taifeiro da Força Aérea. Meu pai tinha tanto orgulho da instituição que jamais dizia “Aeronáutica”. Para ele, era Força Aérea e essa diferença dizia muito sobre o que aquela farda representava. Com meu pai, aprendi que o dever não é uma palavra bonita para discursos. Dever é compromisso. É responsabilidade. É estar disposto a fazer o que precisa ser feito, mesmo quando o preço é alto. Quando me apresentei para o serviço militar obrigatório, aos 18 anos, eu não questionava a possibilidade de entregar a própria vida em defesa do Brasil. Eu acreditava, sinceramente, que morrer pela sociedade que juramos proteger, se necessário, era uma honra. Imaginava que todas as autoridades pensavam assim. Quanta ingenuidade. Por anos, carreguei essa convicção. Servi à Força Aérea. Servi à Polícia Militar. Entreguei meu tempo, minha juventude e, no limite, minha própria saúde. Até adoecer de depressão. Mas há uma coisa que não encontrei nas cúpulas das instituições brasileiras: os ideais pelos quais eu acreditava estar disposto a morrer. Hoje, é impossível não sentir indignação ao ver homens poderosos, investidos das mais altas responsabilidades da República, tremerem diante da caneta de Moraes. Homens que deveriam ser a última barreira contra qualquer abuso de poder parecem mais preocupados em preservar suas carreiras do que em cumprir o dever que assumiram perante a sociedade. E é aí que faço a seguinte provocação: Com que autoridade moral esses homens exigem de um menino de 18 anos que esteja disposto a entregar a própria vida pelo Brasil, se eles mesmos não estão dispostos sequer a colocar a própria carreira em risco para defendê-lo? Ao jovem brasileiro, dizem que honra é cumprir o dever até as últimas consequências. Aos poderosos, aparentemente, basta preservar o cargo e jogar com os seus. Isso não é honra. E talvez o que mais me revolte não seja apenas a covardia dos que deveriam enfrentar o poder, mas o silêncio daqueles que sabem que algo está errado e, ainda assim, preferem permanecer calados. O silêncio dos bons quando o dever exige coragem não seria traição? Aos meninos, não lutar no combate é pena de morte. Aos cabeças brancas, canapés? Isso me aborrece profundamente: aprendi a vida inteira que servir ao Brasil era um privilégio, para depois descobrir que muitos daqueles que deveriam servir ao Brasil aprenderam apenas a servir a si mesmos. Selva ou Salva?

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