🔥🔥🔥LEIAM🔥🔥🔥
Gente que deveria ser modelo de conduta pela posição que ocupa na sociedade se deslumbra com a riqueza e o poder de bandidos
Era a expressão usada por Carlos Lacerda e a oposição para denunciar a corrupção generalizada no governo e provocar a queda, e o suicídio, de Getúlio Vargas em 1954, mudando o rumo da História do Brasil.
Agora ela se atualiza para designar a promiscuidade e as relações indecentes, não de políticos, como nos habituamos, mas de ministros do Supremo Tribunal Federal e um procurador-geral da República com um gângster protagonista do maior escândalo financeiro de nossa história recente, que roubou bilhões de aposentados, pensionistas e investidores, e construiu, comprou, uma rede de apoios nos três poderes.
Quando um ministro do STF faz um negócio de R$ 135 milhões com um gângster, de papel passado e identidades escondidas, o cinismo e a arrogância são surpreendentes até no Brasil. Alguém que se acha acima de qualquer suspeita, que não deve satisfações a ninguém. Advogado medíocre do PT elevado ao STF por politicagem se seduz com o dinheiro, o poder e a ostentação de um gângster.
Essas altíssimas autoridades, última instancia de decisões judiciais inapeláveis e definitivas, que decidem vida e morte de pessoas e empresas, não têm vergonha desses diálogos trocados com um gângster e sua turma? Como ficam diante das suas famílias, que leem seus diálogos escabrosos com um bandido — “estou com saudades”, diz um deles, outro é recebido em um hotel luxuoso com sua família com tudo pago pelo gângster e não acha nada demais, é só mais uma boca livre, mesmo podendo pagar por ela com seu salário e de sua mulher e filhos, contratados regiamente pelo banco do gângster, combinando jantares de três casais, o ministro, o gângster e o lobista que armou o encontro.
Fico especialmente horrorizado porque meu avô, Candido Motta Filho, foi ministro do STF, nomeado por JK em 1956, não por politicagem, mas por ser catedrático de Direito Constitucional da Faculdade de São Paulo, e foi colega de lendas jurídicas como Evandro Lins e Silva, Nelson Hungria, Lafayette de Andrada, Ary Franco, José Linhares, Vitor Nunes Leal, Orozimbo Nonato, Luiz Galotti... Uma seleção brasileira de criminalistas, constitucionalistas, tributaristas... Que diferença para o atual... Que vergonha.
Sempre me lembro de meu avô atrás de uma pilha de processos, datilografando com dois dedos suas sentenças a manhã inteira. Fico imaginando o que ele acharia das estrepolias desses ministros que tiveram seus diálogos pornográficos divulgados pela Polícia Federal. Primeiro, não acreditaria, depois, infartaria, de vergonha alheia.
Eles são, sim, uma ameaça à democracia, pela desmoralização de um dos três poderes da República. Gente que deveria ser modelo de conduta pela posição que ocupa na sociedade se deslumbra com a riqueza e o poder de bandidos, vão a jantares, festas e bocas livres internacionais com criminosos que vão julgar.
Não adianta mais declarar suspeição, porque não são mais suspeitos, são comprovados e condenados, pelos fatos, pela opinião pública e pela História. Mesmo que se absolvam entre eles. Nelson Motta.
oglobo.globo.com/cultura/nelson-motta/colu...
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