Renata Nagamine

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Renata Nagamine

Renata Nagamine

@renatanagamine

Pesquisadora @cebrap. Pluralismo, mídia e linguagem | Cristianismo no agro.

linktr.ee/renatanagamineIngressou em março de 2026
O Renan Santos é o típico enrolão franciscano (da Faculdade de Direito, não da ordem católica). Ele não se formou, mas a São Francisco participou em sua formação. É um tipo que costuma agradar e estar bem posicionado para organizar todo um conjunto de expectativas no Brasil.
Na política, tem coisa que simplesmente não pode acontecer, e acontece porque as pessoas não julgam. O juízo não é um atributo, como nossas construções mais comuns fazem pensar. É produto particular e comunicável de uma prática que supõe um contato vivo com o mundo.
Muito se fala do marxismo vulgar, mas pouco se fala do weberianismo vulgar, né? E ele informa uma parte significativa do que leio sobre religião vindo da Economia e da Ciência Política.
Fui a Barretos para pesquisa de campo nos últimos 2 anos. Notei mudanças este ano. Destaco 2. Reorganizaram o espaço, com a adição de um palco. Reinseriram atrações de outros gêneros musicais: p.e. pagode. Em 2025 já havia muitos influenciadores, que projetam a festa em mídias.
Um dos lugares que mais curto em São Paulo é a Casa Japão, do Aizomê, o restaurante, às exposições. Tem uma temporária pequenininha agora sobre o branco que está bacana e a da carpintaria é demais.
Duas mulheres -- Laura Cardoso e Glória Menezes -- que construíram a televisão brasileira, sendo a televisão o que ela é no Brasil. Vai saber o que é isso?
Se se mostrar eleitoralmente viável, o Renan Santos ainda tem chance de acabar abraçado pelo Centro ideológico (não o fisiológico) brasileiro, ao menos depois das eleições.
A propósito de Homero, outra leitura que vale a pena, gostosinha, são os guias da Giuliana Ragusa para a Ilíada e a Odisseia. Por sinal, tudo o que conheço da Giuliana é bom.
Pessoal adora criticar São Paulo, mas no final o Jean Wyllys vai sair candidato pelo estado, que já foi domicílio eleitoral de Marina e Sônia Guajajara nas eleições anteriores. Não estou dizendo que SP não seja passível de crítica, mas também não deve ser só defeitos, né?
O problema do racismo no caso dos argentinos não é que ele é maior ou menor do que em outras sociedades, e sim que ele parece socialmente autorizado, na medida em que jogadores e torcida o explicitam e se tem de ficar procurando quem o condena para não generalizar a acusação.
Gente, é bom ler um pouco de sociologia e antropologia brasileira para compreender melhor religião no Brasil. Não adianta nem só ler jornal, nem pegar hit americano e sair aplicando à vida social brasileira. Há aproximações possíveis, mas ainda assim são necessárias mediações.
E a dificuldade de parte da esquerda partidária e acadêmica de afirmar que o regime de Maduro é autoritário, depois de toda a sua eloquência contra Bolsonaro?
Não vou me deter no assunto porque não estou afim, mas realmente me incomoda muito a ideia de termo um tribunal superior com 11 juízes e apenas 1 mulher entre eles. Principalmente me intriga como isso pode ter sentido para alguém. Mas, claro, não sou homem.
Achei problemático o Itamar Vieira reduzir em sua coluna uma crítica circunstanciada à cor da autora para aproximá-la dos agressores de Vini Jr. Do modo como ele tratou a resenha, fica parecendo que não se pode avaliar seus livros esteticamente sem incorrer na prática de racismo.
É muito pior que políticos de um partido de centro-esquerda defendam a mesma agenda da ultradireita. Quando as pessoas não os distinguirem nas urnas, é porque na prática se mostraram indistintos, apenas uns mais cínicos ou hipócritas do que outros.
Não é Pacto de Genebra. O nome do documento é Convenção de Genebra de 1949, e ela não se aplica à situação dos que foram presos em flagrante e estão sendo alimentados, com integridade física respeitada e tudo, em um governo que está, justamente, defendendo o Estado de Direito.
Para ser mais explícita: o nazismo é eugênico. Dá para ser comunista sem ser totalitário? Dá. Dá para ser liberal sem ser colonialista? Dá. Dá para ser nazista sem ser eugênico? Não. Fazer essa distinção não é relativizar crimes em massa do stalinismo. É ser crítica sem ser anti.
Não disse que o stalinismo não foi uma forma totalitária. Foi, e para compará-lo com o nazismo Arendt precisou do conceito. É interessante observar o pessoal transformando o historica/ contingente em logica/ necessário. O modelo do espelho invertido é refratário a diferenciações.
Só para esclarecer: não falei em Hitler, nem em Stálin. Não neguei a possibilidade de comparar suas práticas (inclusive estudo uma pensadora que as compara). Finalmente, não neguei que os regimes nazista e socialista soviético praticaram crimes contra a humanidade.
Também, tanto liberalismo quanto comunismo animaram revoluções e podem ter relação instrumental com a violência. No limite, podem validá-la. Já certas construções contemporâneas evidenciam operações pelas quais o contingente se transforma em absoluto e necessidade lógica.
Agora, a liberalização de discursos nazistas, se não me engano, já tinha sido postulada abertamente numa produção do Brasil Paralelo sobre antifascismo. E, bom, no final, nenhum mercado se autorregula, nem o de ideias.
A relação do nazismo com o extermínio é intrínseca; a relação do comunismo e do liberalismo com o extermínio é extrínseca. O nazismo supõe o extermínio; o comunismo e o liberalismo, não. Pode acontecer, aconteceu, mas é histórico, contingente.
Para o caso de não ter ficado claro, não falei em momento algum que a Janaína era brilhante, nem a elogiei como pesquisadora. Disse que ela era uma boa professora. E não falei isso para defendê-la, mas porque acho que ela é ícone de um processo recente que precisa ser entendido.
O Alexandre de Moraes era péssimo. A bibliografia dele era basicamente o resultado da busca com o descritor "direito constitucional" na base da biblioteca. Era dogmático e intolerante a divergências. Publicamente, ele se moveu para um lado, Janaína para outro, no mesmo período.
É certo que a gente aprende na vida. Mas, como o caso da Janaína e o de tantas outras pessoas fazem ver, a gente também pode mudar para pior. É óbvio, eu sei. Depende de como a gente vive, do que a gente faz. Até a permanência às vezes requer atenção. Para ser mais precisa:
No final, nem tudo o que somos sempre existiu em potência no que éramos. Somos mais moldados pelo mundo e por nossas práticas do que às vezes estamos dispostos a admitir. As mídias sociais inclusive deixam ver a transformação de pessoas em uma espécie simulacros de si mesmas.
A Janaína foi desaprendendo tudo, até que desaprendeu direito e, ao que parece, o português. Provavelmente por ter sido aluna dela, a mim me impressiona sua desintegração.
Perguntas sobre o Brasil atual: 1. Quem mandou matar Marielle? 2. Ricardo Salles já foi condenado? 3. O PR já foi responsabilizado por desmontes e pela instrumentalização de uma comunicação ambivalente para o despreparo das pessoas? 4. Já suspenderam as atividades da Prevent?
A gente naturalizou a Covid, ela se tornou algo como a dengue. O terreno no Brasil parece estar sempre arado para semear uma brutalidade. É onde em se plantando tudo dá mesmo. Uma questão, no entanto, é entender como funciona.
Outra coisa, a propósito da Venturini: o que a gente chama de bolsonarismo são práticas, disposições e ideias que Bolsonaro personifica e, às vezes, caricaturiza.
Gostei da justificativa da Venturini para se vacinar, mesmo sendo ela contra a vacina: viajar o mundo. Para a gente ver que uma pessoa pode correr o mundo e não ser afetada por ele.
Estou lendo agora matéria na @folha. Não quero me deter nela, mas cabe ao menos um comentário: número de mortos não é elemento nem do crime de genocídio, nem de crimes contra a humanidade.
Crimes contra a humanidade tais como definidos pelo Estatuto do TPI. Há um rol de condutas, que devem ser praticadas intencionalmente, e há um elemento contextual, "no quadro de um ataque generalizado ou sistemático", do qual o autor deve ter conhecimento.
Um familiar com menos de 50 anos está com Covid em manifestação moderada, com piora hoje. O plano dele, Prevent Senior, enviou-lhe um 'kit Covid', com azitromicina, ivermectina, hidroxicloroquina e dexametasona.
Depois de um ano fazendo tudo certo para dar tudo errado, está dando tudo errado. Foi preciso não instruir, nem vacinar a população, mandar todo mundo pra rua e sugirem variantes conferindo vantagem evolutiva ao vírus para chegarmos a esse ponto. Nosso sistema de saúde é bom.