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William Bonner pediu para sair. Não vai deixar saudade. Como apresentador e, sobretudo, como editor-chefe, teve papel central na morte do jornalismo da Globo. Foi sob o seu comando que o Jornal Nacional, outrora o telejornal mais importante, assistido e respeitável do Brasil, mergulhou no descrédito, na irrelevância e até na revolta da população. A tradicional tendência de esquerda — que sempre existiu — foi transformada em militância política escancarada. Bonner não esteve sozinho: acompanhou a tendência global dos noticiários noturnos americanos, em especial do CBS Evening News, que foi justamente o modelo de inspiração do JN em meados do século passado. Assim como seu equivalente americano, o Jornal Nacional deixou de ser referência para se tornar irrelevante. E aqui entra uma lembrança pessoal. Quando eu era criança, a hora do Jornal Nacional era quase sagrada. Meu pai mandava a casa inteira ficar em silêncio para ouvir Cid Moreira e Sérgio Chapelin. O Brasil parava. Hoje, a saída de Bonner não provoca silêncio nem respeito — apenas indiferença. No fundo, como jornalista, tenho até pena da geração que cresceu vendo (ou deixando de ver) Bonner, sem conhecer o tempo em que o JN realmente fazia o país parar. O JN é o símbolo brasileiro maior da Morte do Jornalismo. Enterrem o cadáver fétido. Vida longa ao Paulo Figueiredo Show e tudo que o jornalismo independente tem produzido.

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