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Sou surdo-cego-cadeirante. Quando eu era criança, fiz natação. Já ganhei medalha de prata em um campeonato da escola de natação. Gostava de água, acredito que pela independência: não tinha bem essa preocupação de esbarrar nas coisas por causa da baixa visão. Não tinha correria; era nadar mesmo. Até hoje, curto água, mas estou muito mais debilitado para conseguir nadar. Não dá para saber a direção, pois não consigo ouvir nada para me orientar nem enxergar. Mesmo em locais rasos, já confundi a parede da piscina com o chão e nadava na horizontal, achando que estava na vertical. Bem chato isso. Aí, não nado muito. Fico só me apoiando com a perna, mergulho, volto etc. Aí dá para dar uma pequena curtida. Nos meus jogos, crio simulações de nado, cavalo etc. Isso também ajuda a preencher a lacuna da exclusão desses cenários. É aquela história: às vezes, amigo leitor, algo banal da sua saúde, com o qual você se acostumou, é o sonho de outras pessoas. Valorize o que você tem. Deus já te abençoou tanto, e você aí dizendo que não. Mas, para o pessimista, o Sol é um fazedor de sombras.

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