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Sou surdo-cego-cadeirante. Minha situação não foi prevista no ventre da minha mãe. Na prática, meus pais imaginavam um bebê que nasceria saudável, cresceria como um jovem comum, faria faculdade sem acessibilidade, enfim. Mas com quase meus os dois anos de idade, levei uma queda. Meu joelho começou a inchar depois de um tempo. Meus pais acharam ser por motivos da queda. Estávamos em Cuba, em férias, no ano de 1991. Mas o inchaço não passou e, quando os médicos descobriram o que era, já estava atacando os olhos. Foram duas doenças: artrite, que inflama as juntas; uveíte, que inflama a uveia, localizada nos olhos. Meu pai era médico, anestesita na ép_oca. Hoje aposentado com quase 80 anos' Na época éramos bem sucedidos então meu pai tinha alguns amigos com certa experiência nisso. Mesmo assim foi muito sofrido comigo. Meu pai, por ser médico, já ajudou muita gente. Quando fui diagnosticado com essas doenças, ele entrou na cozinha de nossa antiga casa, de acordo com minha mãe, "chorando igual criança", dizendo: "Eu já salvei tanta gente! Tanta gente! E não pude salvar o meu filho!" Na época não tinha os equipamentos modernos de hoje. Nada de display Braille, imppressora Braille com preço acessível, iPhone, rede social, enfim, fui jogado na corretneza mais que o comum. Quando é a correnteza comum já é incerto, imagine. Se você é pai, deve entender a dor do meu pai na época. Olha que ele é um cara durão. Mas o futuro reservaria maravilhas na tecnologia que me ajudaria na inclusão. UMA nota: meu pai e mãe se separaram em 2002 oficialmente. Eu já mandava e-mail desde 2002 aproximadamente para amigos, mas meu pai era muito distante de tecnologia. Em 2013, trocamos nossos primeiros e-mails. Recebi dele algo como: "Vamos ver se dá certo (eu receber o e-mail dele) se der, mando milhões (de e-mails)'" Deu certo e respondi. Ele respondeu a resposta: "Que rico, que divino poder falar contigo, meu filho!" A primeira mensagem de ZAP que mandei via disply Braille foi para meu pai em uma madrugada, pois foi nesse horário que meu meio-irmão de parte de mãe, com uns 10 anos, me ajudou a configurar o display Braille no iPhone que ganhei de uma professora, na época, o iPhone 5. Mandei mensagem a ele e ele, surpreso, disse: "Como você consegue falar no celular?" Expliquei sobre display Braille. Ele ficou todo contente! Com os 14 anos, já cego, fiquei cadeirante. Com essa idade, obtive surdez progressiva. Com os 19, fiquei totalmente surdo. O pessoal via meu talento em programaèão, em lugares como no SENAI onde fiz TI; palestras e etc. Muitos ficavam surpresos e me ajudavam' Meu pai tinha tristezas do avanço das doenças em mim em um dia; no outro dia, a tecnologia o animava novamente. Hoje, ainda que atualmente não ganhe nada com isso, sou programador e ajudei outras pessoas deficientes a se incluírem no mundo da informática, pois esse âmbito me ajudou muito. Você diz que seu domingo foi ruim só porque você não saiu de casa hoje? O meu foi eu surdo-cego-cadeirante imaginando como arrumar uns BUGS, e considero meu domingo abençoado: paz, tenho amigos, tenho Jesus no coração. Levante a cabeça, pois quem fará sua felicidde é você mesmo. Deus já te deu a capacidade. Basta usá-la adequadamente que você chega lá. Claro, tecnologia ajudada por gente de bom coração como vocês.

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