Sou surdo-cego-cadeirante.
Eu, antes da surdez, já era cego e não andava. Assistia à TV ouvindo. Era uma distração a mais, sendo as outras principais o PC e o telefone.
Quando a surdez começou, senti bem mais do que a perda da visão e da locomoção. Foi barra demais, pois era um mergulho no escuro e no silêncio absoluto.
A surdez só progredia.
Dormia na esperança de melhorar no dia seguinte, algo como estar gripado e acreditar que amanhã acordaria melhor.
Nada disso. Houve momentos de melhora, mas, de repente, tudo recuava e não voltava mais.
Eu não tinha display braille, vaquinhas, nem nada do tipo.
No âmbito acadêmico, viram minha situação e, aos 21 anos, já totalmente surdo, ganhei meu primeiro display braille. Era bem simples, bem básico, mas era tudo para mim.
Conversava, mandava e-mails e era uma alegria. Fiz até um curso local de HTML e C.
Em 2015, ganhei outro display, e ele permitia usar o celular.
Instalei o novo display sozinho no PC usando o display antigo.
No ano seguinte, ganhei um iPhone 5 de um professor do SENAI.
Minha primeira mensagem no WhatsApp foi para meu pai.
Ele era separado da minha mãe e, nesses oito anos em que nos falamos, conversamos muito.
Em 2024, infelizmente, ele se foi.
A tecnologia nos aproximou.
Bem, aí o resto meus seguidores de certo tempo já sabem o que faço hoje: programo em IntMUD, Swift e PHP. Sei C e C++.
Muito disso foi aprendido com ponta do dedo.
Louvo a Deus por abrir as portas para mim.
Avante!
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