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Eu sou de DIREITA. E não existe direita no Brasil. Poderia haver, mas o espaço vago, depois que a gente foi pra rua a partir de 2014, foi ocupado por um troço chamado "bolsonarismo". Bolsonarismo não é direita. Bolsonarismo é um outro populismo. Quem veste a camisa do bolsonarismo é uma gente ignorante, feia, brega, autoritária, que finge um puritanismo ridículo e que fala muito em religião. O bolsonarismo não tem nada a ver com o liberalismo, muito menos com as liberdades, de pensamento, de expressão: fossem donos da chibata, seriam iguais ao regime "alexandrino", esse, que conhecemos bem nos últimos anos. Uma vez no poder, o bolsonarismo não fustiga a esquerda, porque sabe que precisa dela, bem viva e ameaçadora, para existir; se dedica a calar qualquer coisa que respire, que não vista vermelho e aparente tomar banho regularmente, mas que se posicione de forma crítica à seita. Vocês me desculpem, mas eu não vou esquecer o ano de 2019 e o carluxismo cultural. Flávio Bolsonaro entrou nessa campanha pra perder. Era um cálculo. O bolsonarismo É calculista. Mas muita coisa aconteceu nos últimos meses e o fato é que o sujeito que nunca administrou nada na vida pode virar presidente da república. Ele é jovem, bonitão e ficou surpreendentemente bom de TV. Parece o Collor de quase 40 anos atrás, muitos de vocês nem eram nascidos. E essas são as virtudes dele. Que, caso eleito, se cerque de gente profissional para dar um choque de ordem no país, é o mínimo a esperar. Que combata, desde o primeiro dia, sem a covardia do pai, os inimigos reais, alojados em todas as estruturas do poder, para não acabar, ele também, preso e desmoralizado, parece um pouco fantasioso. Eu tenho 60 anos. Eu votei no FHC. Duas vezes. Depois, eu votei no detestável Serra, duas vezes; no tedioso Alckmin, no pilantra do Aécio; e duas vezes em Jair Bolsonaro. Faz mais de 30 anos que nós votamos em qualquer porcaria pra evitar ou pra derrubar o atraso representado pelo PT. Rodou, rodou, passou um tempão, aconteceu um monte de coisa e voltamos pro mesmo lugar: o bolsonarismo é o novo PSDB. É o que tem. É o possível. Com a consciência tranquila de fazer parte do 0,27% que votou em Romeu Zema no primeiro turno, sim: eu vou votar no Flávio. Eu, como tantos, estou acostumado a votar em qualquer merda contra o PT. Uma vez a mais não vai doer.

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