Militância política nas revistas científicas
A The Lancet precisa explicar por que publicou, às vésperas das eleições brasileiras, uma reportagem com enquadramento tão desequilibrado.
O texto exalta realizações atribuídas a Lula e trata uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro como ameaça ao SUS, sem apresentar contraditório adequado, fontes completas ou as propostas do candidato. A campanha de Flávio foi procurada? Suas posições foram apresentadas integralmente?
Previsões políticas não são evidências científicas. Formação acadêmica não transforma opinião em fato. E hipótese não é prova: atribuir causalidade por mortes na pandemia exige método, transparência e investigação independente.
Também não é aceitável avaliar a resposta brasileira à pandemia ignorando a vacinação, a distribuição de aproximadamente 500 milhões de doses até maio de 2022 e a participação do país nas negociações internacionais sobre pandemias.
O mesmo critério deve valer para parcerias público-privadas: se são tratadas como ameaça quando associadas a Flávio, mas aceitas em governos de outra orientação, a reportagem precisa explicar essa distinção.
Minha gestão deve ser fiscalizada. A de Lula também. A de qualquer governo, igualmente. Mas fiscalização não pode ser substituída por militância editorial.
A The Lancet deveria distinguir fatos, interpretações e juízos políticos, apresentar contraditório e vincular afirmações a fontes verificáveis. Ao publicar um texto com esse teor no período eleitoral, compromete sua credibilidade científica.
Leia a reportagem: www.thelancet.com/journals/lancet/article/...
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