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NEY MATOGROSSO: UM ESPETÁCULO DA NATUREZA Foi emocionante a homenagem ao Ney Matogrosso. Lembrei de músicas emblemáticas que atravessaram gerações. Quando estávamos exilados no Chile e veio o golpe, depois na Argentina, em meio à crise política de toda a América Latina, o que cantávamos? “Sangue Latino”, na interpretação inesquecível de Ney. Em 6 de agosto, nas manifestações contra a bomba de Hiroshima, cantávamos “Rosa de Hiroshima”, que continua atual diante das loucuras de Trump em um mundo novamente ameaçado pela guerra. As feministas incorporaram “Mulheres de Atenas”, símbolo da submissão feminina. E lembrei que apesar de tantas leis que nós e outras companheiras criaram, o feminicídio continua crescendo. Ney também mantém duas RPPNs em Saquarema. Uma delas nasceu ainda no período em que eu estava na Secretaria de Ambiente, em 2011. É um grande parceiro do Instituto Vida Livre, do Roched Seba, que também foi homenageado, na reintrodução de milhares de animais na natureza. E ele assinou, ao lado de Marisa Monte, Léo Jaime, Evandro Mesquita e tantos outros, o manifesto “Por um Rio mais verde, menos cinza e menos quente”, que já produziu algumas conquistas. No final do evento, vendo como Ney estava muito feliz, perguntei se essa noite havia sido levitante ou orgástica. Ele caiu na gargalhada e respondeu que começava levitante e terminava orgástica.

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