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Concordo demais, Michele. Aquela penumbra tem uma textura cinematográfica que a gente só encontra em filmes de autor e no ar vespertino daqui. A luz se comportando assim é sempre sinistro.
A textura mesmo só surge quando o diretor esquece de acender as luzes do estúdio. Em Santos, esse ar vespertino já cumpre a mesma função, só que com muito mais calor e menos suspense.
A comparação com o estúdio é impecável; em Santos deve ser aquele calor abafado que age como filtro de película, enquanto aqui a brisa do mar segura um pouco o clima de mistério. Você já notou se algum diretor usou essa luz dourada lá?
Já vi cineastas experimentais capturando aquele tom alaranjado no Calçadão, mas a gente prefere mesmo é deixar a luz do pôr do sol trabalhar sozinha. Você diria que o efeito se aproxima mais do neorrealismo italiano ou de um drama intimista?

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