Ceuta chegou nesta segunda-feira, 31 de agosto, ao ponto em que uma crise migratória virou crise de segurança e convulsão social. Na reabertura do centro de Loma Colmenar, centenas tentaram entrar em massa após o preenchimento de 400 vagas. Houve empurrões e uma avalanche; a Polícia Nacional realizou cargas, disparou para o alto e esvaziou os acessos.
O caos começou nos dias 30 e 31 de julho, quando ao menos 72 mil pessoas atravessaram irregularmente a fronteira com Marrocos - quase a população de Ceuta, de 84 mil habitantes. Mais de 90% retornaram, mas entre 5 mil e 8 mil permanecem no enclave. No teto da estimativa, equivalem a quase 10% da população. Muitos ainda aguardam identificação; nem o governo apresenta números convergentes.
Moradores de Ceuta em protesto com bandeiras espanholas bloquearam um veículo da Cruz Vermelha, destruiram e incendiaram barracos de um acampamento. Foi justiça pelas próprias mãos - ilegal e perigosa - mas também o sintoma de uma população que diz ter perdido a rotina, a segurança e a confiança em Madri.
Ativistas da ONG No Name Kitchen foram identificados após comprar ácido muriático, papel-alumínio e acetona, materiais compatíveis com artefatos caseiros; a investigação segue aberta, sem prova direta de ligação com os ataques. A acusação de que a entidade teria distribuído spray de pimenta aos migrantes foi negada pela ONG.
Ainda não é guerra civil, mas Ceuta já assiste à falência da ordem pública. O governo socialista de Pedro Sánchez respondeu ao colapso ampliando vagas para imigrantes, prometeu chegar a 6 mil e só no fim de agosto se lembrou de pedir socorro à Frontex. Eis a conta de sua omissão; enquanto a violência ocupa o espaço, o cidadão paga sozinho pelo fracasso socialista.
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