A Operação Make Up, autorizada por Flávio Dino nesta quinta-feira, 10 de setembro, ganhou um elemento comprometedor para o próprio ministro.
Segundo a Veja, a PF apreendeu na casa de Karina Gama, produtora de “Dark Horse”, uma declaração juramentada de quatro páginas em que ela relata três abordagens para que fizesse delação premiada contra Flávio Bolsonaro.
Karina afirma que Fernando Sarney a procurou em maio, ofereceu apoio jurídico, disse ter “grande proximidade” com Flávio Dino e que poderia ajudá-la caso tivesse interesse em delatar. Sarney nega o episódio. A própria Karina ressalva que não tem elementos para afirmar que Dino soubesse ou participasse daquele contato.
Mas o relato seguinte é ainda mais grave. Em 27 de agosto, um pastor, segundo ela próximo de integrantes do governo federal e ministros do STF, teria transmitido um recado: se fizesse delação, “nada ocorreria” e ela não seria alvo de operação policial. Um jornalista também teria sugerido que, sem colaboração, ela poderia sofrer medidas judiciais.
Karina registrou por escrito o temor de sofrer uma operação como “retaliação política”. E então veio a sequência: em 3 de setembro, Flávio Dino assinou, sob sigilo, a decisão que autorizou buscas contra ela. A ordem determinava que o sigilo só fosse levantado após o cumprimento das diligências.
27 de agosto: “delate e você não será alvo de operação”.
3 de setembro: Dino autoriza secretamente a busca.
10 de setembro: a operação acontece.
Agora STF e PF precisam responder: quem sabia antecipadamente que Karina seria alvo? Quem tinha acesso a uma ordem sigilosa? E por que, depois de ela rejeitar a delação, aconteceu exatamente aquilo que lhe disseram que poderia acontecer?
A assinatura da operação é de Flávio Dino. O que falta descobrir é quem sabia antes - e quem usou esse conhecimento para pressionar uma investigada.
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