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O Nepal voltou a entrar em alerta neste domingo, 30 de agosto. Depois da enxurrada catastrófica de quarta-feira, o nível dos rios Bhotekoshi e Trishuli subiu novamente, impulsionado por novas chuvas e maior vazão vinda do Tibete. Alertas chegaram aos celulares de moradores, que receberam ordem para deixar as margens e buscar áreas elevadas. Em Dhading, o Trishuli erodiu a base da rodovia Prithvi em Krishnabhir, no município rural de Benighat Rorang. Um trecho da pista cedeu e bloqueou completamente a ligação Muglin–Katmandu, eixo estratégico que conecta a capital a Pokhara e ao oeste do país e transporta passageiros, alimentos e combustíveis. A polícia estima que a recuperação pode levar pelo menos um mês e orientou desvios por Gorkha. Em outro ponto, a correnteza arrastou neste domingo uma ponte suspensa que ligava Ghyachok, em Gorkha, a Charaudi, em Dhading. Comunidades que já haviam perdido casas, energia e acesso a suprimentos ficaram ainda mais isoladas. Antes desses novos danos, levantamento preliminar do Departamento de Estradas já apontava ao menos 19 pontes e 40 quilômetros de vias atingidos. O desastre começou em 26 de agosto, quando uma avalanche de rocha e gelo no Himalaia derrubou parte de uma geleira, represou temporariamente o rio Lhende, no Tibete, e liberou uma muralha de água, lama e detritos sobre os vales nepaleses. No momento da primeira onda não chovia nas áreas mais atingidas, o que surpreendeu moradores e impediu um alerta eficaz. Até o último balanço deste domingo, a catástrofe já havia deixado pelo menos 804 mortos e 3.048 desaparecidos nos dois lados da fronteira. Somente no Nepal, a polícia contabilizava 788 corpos recuperados, enquanto 2.502 pessoas continuavam desaparecidas. No Tibete chinês, eram 16 mortos e 546 desaparecidos. Os números ainda são provisórios e podem crescer drasticamente à medida que as equipes alcançam vilarejos isolados e túneis de hidrelétricas soterrados. O país enterra temporariamente vítimas não identificadas após coleta de DNA, enquanto helicópteros e equipes internacionais procuram sobreviventes. O nível dos rios voltou a subir e a terra saturada continua cedendo. No Nepal, a tragédia não terminou.

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