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Na manhã de 27 de agosto, dentro da Papudinha, em Brasília, Daniel Vorcaro prestou um depoimento extraordinário ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do Caso Master no STF. Diante de um juiz auxiliar e de um procurador da República — e sem a presença da Polícia Federal —, o ex-banqueiro afirmou ter sofrido tortura psicológica, maus-tratos e ameaças veladas durante o período em que esteve preso para que não revelasse, numa eventual delação premiada, fatos envolvendo a própria PF. Segundo a coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Vorcaro relatou que teve os olhos vendados durante uma transferência e que agentes responsáveis por sua escolta teriam advertido que, se falasse sobre o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, “ficaria preso para sempre”. Integrantes da PF e da PGR afirmam que Vorcaro não apresentou fatos concretos que caracterizassem maus-tratos e enxergam seu depoimento como uma tentativa de reabrir uma negociação de colaboração premiada sem a participação da Polícia Federal. A defesa de Vorcaro pediu que ele fosse ouvido com urgência alegando “graves intimidações”. O depoimento foi então realizado diante de um juiz auxiliar do gabinete de André Mendonça e de um procurador da República, gravado em vídeo — SEM A PRESENÇA DA POLÍCIA FEDERAL. O próprio Mendonça confirmou a oitiva. Vorcaro sustenta ainda que sua proposta de delação teria sido recusada pela PF porque ele poderia citar Andrei Rodrigues. Interlocutores do diretor-geral negam qualquer relação entre os dois e afirmam que eles se encontraram apenas uma vez, casualmente, durante um seminário em Londres - evento que, segundo a Folha, foi patrocinado pelo Banco Master. Agora há duas versões alarmantes: ou Vorcaro está fabricando uma acusação gravíssima contra agentes públicos para tentar controlar os termos de sua colaboração, como sustentam investigadores, ou um dos personagens centrais do Caso Master está dizendo que foi intimidado dentro do sistema prisional para não revelar informações sobre a cúpula da instituição que o investigava. Qualquer uma das hipóteses é gravíssima e exige apuração independente. O fato é que há alguém com medo do que Vorcaro ainda pode contar.

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