Daniel Vorcaro colocou a cúpula do Banco Central no centro do escândalo Master. Na oitiva à PF de 28 de agosto, afirma que o BC “como um todo” - incluindo Gabriel Galípolo, Ailton de Aquino e Paulo Sérgio Neves de Souza - concordava e incentivava a operação com o BRB.
Após o veto, diz ter buscado investidores nos Emirados Árabes, protocolado um plano de regularização de 180 dias e organizado a venda do grupo em três blocos. Em 17 de novembro, avisou ao BC que tinha uma solução e apresentaria os contratos restantes em dois dias. Foi preso naquela noite; o Master foi liquidado na manhã seguinte. Diz que só percebeu o desfecho “atrás das grades”.
Mas o vídeo não traz contratos, investidores identificados, comprovação do capital ou aval do BC. Outros trechos expõem o ponto crítico: Vorcaro negou que servidores trabalhassem para ele, mas admitiu reuniões com Paulo Sérgio e Belline Santana em suas casas; uma consultoria de luxo para a família de Paulo Sérgio na Disney, chamada de “agrado”; e até R$ 4 milhões para um projeto ligado a Belline. Diante das mensagens, reconheceu ter orientado o uso de empresa sem ligação aparente com seu cunhado.
A narrativa encontra limite na versão de Ailton: ele declarou ter decidido com Galípolo liquidar o Master, mantendo o plano em sigilo até de Paulo Sérgio e Belline, e disse não ter dado aval à proposta final.
Na véspera, ouvido pelo gabinete de André Mendonça sem a PF, mas com o MP, Vorcaro alegou tortura, isolamento, privação de água e comida, ameaça em um helicóptero e intimidações contra sua família. Disse que pretendiam impedir uma delação envolvendo Andrei Rodrigues e integrantes do atual governo. A PGR pediu o arquivamento.
O vídeo não absolve o Master nem prova uma conspiração. Mas contém admissões e acusações verificáveis. Se Vorcaro inventa uma megaconspiração para negociar a liberdade, os registros o desmentirão; se setores do Estado enterraram relações ilícitas ou uma possível solução de mercado, também. A íntegra da oitiva, os contratos, as atas do BC, os pagamentos e os registros de custódia precisam ser abertos e auditados.
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