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Não importa se você gosta ou detesta Renan Santos; se é de direita, esquerda ou centro. O que aconteceu nesta segunda-feira deveria preocupar quem considera eleições livres um princípio inegociável Em decisão monocrática e cautelar, Dias Toffoli, do TSE, impôs duras restrições à campanha de Renan Santos.Suspendeu propaganda eleitoral digital, novos repasses do Fundo Eleitoral e gastos com recursos já recebidos. Renan não poderá participar de debates em rádio, TV, podcasts ou outros meios. O registro da candidatura foi apresentado em 7 de agosto, mas 16 perfis foram informados ao TSE apenas em 19 de agosto. Para Toffoli, o atraso pode ter mantido essas contas nas recomendações dos algoritmos, criando vantagem sobre adversários - apontando possível “omissão estratégica”. Se Renan errou, que responda. Mas desde quando atraso na comunicação de perfis autoriza um único ministro a impedir um candidato à Presidência até de participar de debates? Não houve decisão colegiada; o registro sequer foi indeferido. Ainda assim, uma única caneta atingiu dinheiro, redes e a presença de um presidenciável no debate público. O MBL passou anos defendendo o Supremo e ridicularizando quem alertava para a concentração de poder nas mãos de ministros. Depois foi às ruas contra aquilo que ajudou a legitimar. Agora sente na própria pele o país que ajudou a normalizar. Seria fácil responder: “bem feito”; só que não está bem feito. Porque garantias democráticas não existem apenas para quem pensamos igual. Hoje é Renan - amanhã será quem? Flávio Bolsonaro, adversário na disputa presidencial, contrariou a conveniência eleitoral e repudiou a medida. Lembrou que Jair Bolsonaro está há mais de um ano com as redes sociais bloqueadas: “A censura não pode mais ser banalizada no Brasil.” Independentemente de divergências políticas, essa deveria ser a reação de todos os candidatos, presidenciáveis ou não. Uma decisão monocrática capaz de praticamente retirar um candidato da arena pública antes do julgamento definitivo deveria provocar repúdio coletivo. Ou as garantias valem para todos, ou amanhã talvez não reste ninguém para protestar quando a caneta chegar ao próximo.

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