Menos de 24 horas depois da guerra aberta no STF pelo comando da Polícia Federal, a PF deflagrou nesta quinta-feira a Operação Make Up: 49 mandados de busca e apreensão autorizados por Flávio Dino. Entre os alvos estão Mário Frias e Karina Gama, produtora de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro.
A cronologia fala por si só. André Mendonça afastou Andrei Rodrigues da direção da PF, no dia seguinte, Dino interveio e derrubou o afastamento. Fachin entrou no meio, suspendeu as decisões conflitantes e manteve Andrei no comando. Hoje, a PF sob sua direção executa uma megaoperação autorizada por Dino.
E o timing eleitoral torna tudo ainda mais delicado - Flávio Bolsonaro vem reduzindo rapidamente a distância para Lula. No agregador da BBC/PollingData, já aparece numericamente à frente no segundo turno, por 45% a 44%. A Palver também aponta 46% a 44% para Flávio, embora dentro da margem de erro. Outros levantamentos mostram empate técnico; a eleição virou uma disputa aberta.
É nesse cenário que uma operação de enorme impacto político atinge pessoas diretamente ligadas ao filme sobre Bolsonaro.
Existem investigações distintas: Mendonça apura recursos privados destinados ao Dark Horse; Dino relata suspeitas envolvendo emendas e recursos públicos ligados a entidades relacionadas à produção. A PF diz ter identificado movimentações suspeitas. São suspeitas, não condenações.
A defesa de Karina Gama já havia entregue à PF cerca de 25 mil páginas de contratos, notas fiscais e comprovantes. Mesmo assim, agora vieram dezenas de buscas.
O fishing expedition é a arma mais usada desta Corte - o que exatamente a PF procurava que não poderia ter sido obtido por medidas menos invasivas?
O problema já não é apenas quem está sendo investigado; é quem investiga, quem autoriza e quem controla quem deveria investigar.
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