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A inadimplência do consignado para trabalhadores do setor privado atingiu 10,03% em julho - maior patamar da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011, e primeira vez em dois dígitos. Em junho, estava em 8,68%; em novembro de 2025, em 5,02%. O índice considera pagamentos atrasados há mais de 90 dias. Em 2020, primeiro ano da pandemia, o pico foi de 4,33%; em 2021, chegou a 4,63%, o maior índice de todo o governo Bolsonaro foi de 5,40%, em agosto de 2022. Os 10,03% registrados agora são 85,7% superiores ao pior resultado daquele período. Nem com empresas fechadas, desemprego, restrições e atividade econômica paralisada a inadimplência chegou perto do nível alcançado no governo Lula. A disparada veio depois que Lula reformulou a modalidade, em março de 2025, e lançou o Crédito do Trabalhador como promessa de empréstimo mais barato pela Carteira de Trabalho Digital. Antes, as concessões mensais ficavam abaixo de R$ 1,5 bilhão; depois, a média saltou para R$ 6,6 bilhões. A carteira alcançou R$ 117,7 bilhões - 2,4 vezes o registrado um ano antes - e em julho foram liberados outros R$ 8,8 bilhões. O mais absurdo é que as parcelas são descontadas diretamente do salário. Mesmo assim, a inadimplência supera os 7,8% do crédito livre e está a apenas 0,7 ponto do crédito pessoal sem consignação, de 10,7%. Entre servidores públicos, o índice é de 2,7%; no consignado do INSS, 2,1%. O trabalhador CLT ainda enfrenta juros médios de 53,9% ao ano. Segundo a narrativa oficial do governo o desastre está na implantação defeituosa; quando o empregado muda de trabalho, o desconto nem sempre migra automaticamente para o novo vínculo. O governo estimou que mais da metade dos atrasos poderia decorrer dessa falha, o Banco Central também aponta a expansão abrupta e bancos ainda calibrando seus modelos de risco. Lula vendeu alívio financeiro, abriu as comportas do crédito e entregou juros escorchantes, falhas operacionais e inadimplência quase duas vezes maior que o recorde anterior. Lula proporcionou o endividamento em massa vendido como benefício social.

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