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Essa entrevista do Gilmar Mendes para a Renata Lo Prete em abril foi o retrato perfeito da relação da imprensa com o Inquérito do Fim do Mundo. Jornalista: “O inquérito foi importante para defender a democracia e nós apoiamos, mas por que ainda não acabou? Estamos começando a desconfiar que o inquérito tem outra função.” Gilmar manda na lata: • “O inquérito vai acabar quando terminar.” (Ou seja, quando os ministros do STF quiserem, e a imprensa não tem que dar pitaco.) • Ao contrário da imprensa, não doura a pílula falando de “democracia”. (Assim como a palavra nem aparecia na portaria de instauração do inquérito.) Fala na maior tranquilidade que o objetivo do inquérito é perseguir quem “vilipendiar” (ultrajar por meio de palavras) o tribunal. O exemplo de alvo necessário do Inquérito, que ele dá na maior tranquilidade: o senador Alessandro Vieira, que, enquanto relator da CPI do Crime Organizado, indiciou o próprio ministro Gilmar. Assim como, em 2019, auditores fiscais que investigaram variações patrimoniais dos ministros e disseram ver indícios de crimes foram botados no Inquérito. Assim como, agora em 2026, um ministro do próprio STF disse ver indícios de crimes do relator do Inquérito e se tornou… alvo do Inquérito. O objetivo é claro, cristalino e explícito. Mas a imprensa, ao traduzir isso pra população, age como intérprete enganador e informa: “É para defender a democracia.”

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