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As pessoas tem extrema dificuldade em entender que alguma política pública pode ser, simultaneamente, (i) boa para elas, individualmente; e (ii) ruim pra sociedade, considerando o custo e benefício para além dos participantes. Quase toda intervenção pública vai transferir renda no tempo (entre gerações) ou no espaço (entre pessoas). E alguém vai se beneficiar. Pode ser o empresário que recebe subsídios (e os trabalhadores daquele setor) . Pode ser o procurador que recebe subsídio para além do teto do funcionalismo. Ou pode ser o estudante de graduação que viu o governo subsidiar sua mensalidade e hospedagem num país caro. Fazer política pública não é fácil. Não é trivial identificar a falha de mercado que justifica a intervenção. Uma vez identificada, é ainda mais difícil selecionar qual projeto vai ter os maiores impactos ex-ante. E, pelos incentivos políticos, quase ninguém quer avaliar as políticas depois que elas ocorrerem. É muito fácil ver quem se beneficia diretamente de uma política. Mas é muito difícil ver quem perde com isso ou o que o governo deixa de fazer por causa dessa intervenção. Por isso, ficamos com a disputa de privilégios: se a farinha é pouca, meu pirão primeiro. É por isso que, quando há avaliação de alguma política, devemos usar isso consistentemente. No mínimo, não devemos repetir os mesmos erros do passado. Ou viveremos pra sempre nesse museu de grandes novidades.

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