🚨 Atenção! Investigação aponta venda de ingressos acima da capacidade no Maracanã e suspeita de possível desvio de cerca de R$ 1 milhão por mês.
O Ministério Público do Rio identificou, em laudos e planilhas de jogos de Flamengo e Fluminense, venda de ingressos acima da capacidade permitida em alguns setores desde o ano passado, principalmente no norte e nas cadeiras cativas.
A investigação também suspeita que parte dessas entradas extras não tenha sido registrada corretamente nos borderôs, abrindo margem para possível desvio de cerca de R$ 1 milhão por mês, segundo cálculo das autoridades.
Há ainda preocupação de que as planilhas oficiais considerem capacidade inferior ao público real, o que poderia levar a planejamento de segurança com efetivo policial insuficiente.
• FORA DO BORDERÔ
Em pelo menos 16 jogos analisados — 12 do Flamengo e cinco do Fluminense, com um Fla-Flu contado para ambos — houve oferta ou venda acima da capacidade permitida em determinados setores. Em algumas partidas, laudos dos Bombeiros e da PM apontaram superlotação.
A situação pode ferir o artigo 147 da Lei Geral do Esporte, que prevê até perda de mando por seis meses.
Nos 12 jogos investigados do Flamengo, houve venda acima do permitido. Em metade, o público presente superou a capacidade total atual do Maracanã, de 73.609 pessoas.
No setor norte, houve partidas com 23.400 presentes, 2.100 acima dos 21.300 previstos no laudo da PM. A prática previa cerca de 2 mil ingressos extras para sócios-torcedores, compensados com retirada de carga de outros setores, mas essa movimentação não aparecia no borderô.
O inquérito também apontou que as catracas não bloqueiam entradas quando a capacidade é excedida. A Fla-Flu Serviços recebe em tempo real o número de acessos e teria condições de impor limite, mas isso não vinha sendo feito.
No Fluminense, houve oferta acima da carga permitida, mas nenhuma das cinco partidas analisadas superou o limite, nem por setor nem no estádio. O oeste inferior ficou fechado nesses jogos, embora a regra não permita fechar um setor para superlotar outro.
• CATIVAS COMERCIALIZADAS
Outro ponto investigado é o setor oeste superior, criado na área das cadeiras cativas. O local teria cerca de mil entradas extras por jogo do Flamengo e levantou suspeita de falsidade ideológica e documental.
A capacidade permitida é de 5.019 pessoas, mas laudos registraram mais de 6 mil em algumas partidas. A Suderj deverá informar quantas cadeiras estão efetivamente disponíveis e a origem desse público, já que a venda de ingressos para o setor não é permitida.
O Fluminense negou irregularidade e afirmou que “não comercializa ingressos acima da carga em nenhum setor do Maracanã”. O Flamengo não respondeu. A Ferj disse que prestará ao Ministério Público as informações solicitadas no prazo.
Internamente, o Fluminense admite que pode ter errado em algum momento na emissão de entradas, mas argumenta que tem mais dificuldade para esgotar setores.
🗞️ @OGlobo_Esportes | @diogodantas
📸 Leonardo Brasil/FFC
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