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Podem registrar minha visualização. Assisti ao vídeo de Erika Hilton. Logo no início, uma passagem, em especial, chamou minha atenção: "O que o governo Lula propôs era algo que já existe, só que a partir dos 5 mil reais. Hoje já se passa à Receita Federal a informação de movimentações a partir de 2 mil reais. O que o governo queria era aumentar para 5 mil reais na tentativa de constranger, coibir criminosos, quadrilhas, pessoas que fazem movimentações de montantes financeiros bilionários muito acima de seus salários. E talvez seja isso que a extrema direita quer esconder." Quero me ater às premissas do texto. Há, no mínimo, duas contradições evidentes. Primeiro, uma contradição na justificativa. Erika diz que o governo propôs algo já existente, mas com um limite maior: 5 mil reais. A ideia seria "constranger criminosos e quadrilhas". Contraditório. Se o foco são montantes bilionários, aumentar o limite de 2 mil para 5 mil reais só enfraquece a vigilância. Menos transações notificadas, menos controle. Segundo, a contradição estratégica. E essa, confesso, beira o absurdo. Movimentações bilionárias já estão muito acima dos limites atuais. Tanto faz 2 mil ou 5 mil reais. Bilionários não estão nesse radar. Alterar o teto é irrelevante para o objetivo declarado. Fala-se em "coibir quadrilhas", mas sem explicar como a mudança tornaria a fiscalização mais eficiente. É intrigante pensar que quem opera "muito acima de seus salários" passaria despercebido por um limite de 2 mil reais, mas seria pego a partir de 5 mil. O fato é simples: o novo teto não coibiria quadrilhas, não faria cócegas nos bilionários e tampouco mudaria alguma coisa na fiscalização das quadrilhas e nos montantes financeiros bilionários. A acusação contra a extrema direita? Vaga, genérica e oportunista. Para não dizer, patética. Talvez o que a "extrema direita" realmente queira esconder seja algo menos conspiratório: o constrangimento de ver tal discurso levado a sério.

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