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Rodrigo Pimentel, em suas entrevistas, tem defendido que o Estado do Rio de Janeiro vive uma situação que se aproxima de um Conflito Armado Não Internacional. Isso não pode ser apenas um detalhe retórico. A afirmação é incômoda porque desmonta o mito do orgulho federativo: mostra que há guerra dentro de um país que insiste em se declarar pacífico, democrático e soberano. Lula, até outro dia, estava arrotando soberania para os coleguinhas da ONU. Se esse enquadramento fosse formalmente aceito, o Rio atuaria sob o Direito Internacional Humanitário, com obrigações formais de guerra interna. O governo federal petista, por sua vez, teria de admitir o que nega há décadas: a perda funcional de soberania sobre parte do território nacional. Um fracasso monumental de toda retórica petista do "amor venceu". Se isso acontecesse, a força policial teria de se converter em força militar legítima; e o Estado, de agente de segurança, passaria a parte em guerra. A operação deixaria de ser “repressão ao crime” para se tornar "ato de imposição da paz interna" — como sustenta Rodrigo Pimentel. O dilema é ou reconhecemos que o Rio enfrenta um poder armado paralelo (e, portanto, uma forma de guerra interna), ou continuamos fingindo que “bandidos” se combatem com boas intenções. O moralismo progressista prefere se apegar ao delírio pacifista. Um pouco — só um pouco — de realismo não faria mal para o debate público. O problema é que a simples discussão a respeito da nomeação dos fatos fere o orgulho ideológico dos que vivem de mitos e fingem não ver que, no Brasil, já vivemos tomados pela tragédia da violência há muito tempo.

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