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⚠️REPENSE, CLAUDINHA!!! Eis que você ganha fama e dinheiro como artista de um gênero denominado AXÉ. Gênero baseado na percussão, nos tambores, nos timbales. Uma música criada, fortalecida e abraçada pelo povo preto desse país; mais especificamente do estado mais preto desse país. Você é branca, mas adota o estilo e bomba. Depois de bombar, o que você faz? Por questões religiosas, explicita a reprovação às divindades de religiões de matriz africana. Muda a letra de um de seus maiores sucessos e troca Iemanjá por Yeshua - nome hebraico que, para alguns, é o verdadeiro nome de Jesus Cristo. Faz a intervenção na obra, mas não tira a música do repertório - provavelmente, por questões mercadológicas. Que recado você passa para a sociedade? Pode não ter sido intencional. Pode ser orientação de alguma liderança religiosa intolerante. Pode ser muita coisa. Mas ignorância não pode ser! Porque não cabe mais. Estamos em 2024 e já sabemos como a intolerância religiosa historicamente tem oprimido o povo de santo nesse país. Não dá pra ganhar dinheiro, status, prestígio e poder requebrando ao som do tambor e dar um recado como esse em cima do palco. E não dá porque, ao fazer isso, reforça-se uma lógica de demonização das religiões de matriz africana e, com ela, toda uma lógica de perseguição aos que cultuam os orixás. Não dá pra cantar Axé desprezando o povo do Axé, sua verdade, suas crenças, seu sagrado. Não sei se ninguém avisou, mas como dona Ivone Lara já cantou, é preciso pisar nesse chão devagarinho. Tem que respeitar ancestralidade. Tem que respeitar a fé do povo. E, notem: ninguém precisa cantar o que não quer. Ninguém. Se não faz mais sentido, beleza. Vira o disco. Grava música gospel...abraça o que te faz feliz de verdade. Agora, seguir assim, pra ganhar dinheiro, invisibilizando uma cultura e dando esse tipo de exemplo...aí é complicado. Bem complicado. Tão complicado quanto se pintar de preta em capa de disco ou usar turbante pra "exalar" baianidade. Repensa, Claudinha.

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