Vamos de análise para quem está perdido, desesperado e sem esperanças.
O resultado do primeiro turno preocupa? Claro que sim. Mas quero mostrar com números por que ele não autoriza ninguém a desistir.
Flávio Bolsonaro teve 56,1 milhões de votos. Lula, 53,9 milhões. A distância foi de aproximadamente 2,23 milhões de votos.
Guarde esse número. Esse "2, 23 milhões" parece grande até colocarmos ao lado de outros:
- Mais de 33 milhões de brasileiros não foram votar.
- Outros quase 6 milhões compareceram às urnas, mas votaram em branco ou anularam o voto.
- Aproximadamente 9,3 milhões escolheram candidatos que não chegaram ao segundo turno.
Somados, minha gente, estamos falando de quase 49 milhões de brasileiros que, no primeiro turno, não escolheram nem Lula nem Flávio Bolsonaro. Percebem?
Pois é aqui que começa o segundo turno de verdade.
É evidente que esses 49 milhões não formam um bloco. Quem não foi votar pode ter faltado por desinteresse, dificuldade, doença, trabalho ou distância. Quem anulou pode estar profundamente descrente da política. Quem votou em Augusto Cury, Caiado ou Renan Santos tomou uma decisão política e talvez rejeite os dois finalistas.
Mas campanha eleitoral existe justamente para conversar com quem ainda não está convencido. As pesquisas realizadas às vésperas da eleição mostravam uma pista importante: entre os brasileiros que não se identificavam nem com o lulismo nem com o bolsonarismo, 37% admitiam que ainda poderiam mudar de candidato. Entre os jovens de 16 a 24 anos, 32% diziam que poderiam mudar.
As perguntas que vão guiar o que faremos são: Como conversar com quem não é bolsonarista e também não se sente petista? Como chegar em quem votou em Cury porque queria pacificação? Ou quem escolheu Caiado ou Renan Santos porque desejava uma alternativa? Como ser escutado por quem anulou o voto porque olhou para os candidatos e pensou: “nenhum deles me representa”?
Em 2022, 32,8 milhões de brasileiros não votaram no primeiro turno. No segundo, a abstenção continuou praticamente igual.
Daí, você no auge do desespero que só vê metade do copo vazio pode falar:
"Tá vendo? Abstenção é um reservatório gigantesco de votos, mas historicamente difícil de mobilizar!"
E quem vê o copo meio cheio (me coloco neste grupo) pode refutar:
Não adianta esperar que milhões de pessoas apareçam espontaneamente. É preciso buscá-las.
A meu ver, é aí que está a principal tarefa de quem quer eleger Lula: Menos conversa entre convertido e mais conversa na família, no trabalho, na faculdade, no ônibus, na fila, na igreja, no bar ou na associação de moradores.
Mas perceba uma coisa importante: cada grupo exige uma conversa diferente. Quem votou em outro candidato quer comparar projetos. Quem anulou precisa encontrar uma razão para escolher. Quem se absteve precisa encontrar uma razão para comparecer. Quem está decepcionado precisa ouvir propostas concretas e não apenas palavras de ordem.
E se você precisa de números para se animar, repito: A diferença entre Lula e Flávio é de 2,23 milhões. Os ausentes foram mais de 33 milhões.
Isso significa o quê? Isso mostra que há espaço eleitoral. Muito espaço, minha gente.
Segundo turno não é repetição do primeiro. É outra eleição.
A pessoa capaz de decidir essa eleição talvez não esteja e nem vá em nenhuma manifestação. Talvez ela não siga nenhuma página política. Talvez tenha votado em Cury. Talvez tenha apertado “branco”. Talvez tenha digitado 00. Talvez nem tenha saído de casa domingo.
Essa pessoa não precisa de bronca e sim de uma razão. Melhor, de uma boa razão.
Se há quase 49 milhões, repito, 40 milhões de brasileiros que não escolheram nenhum dos dois finalistas no primeiro turno, há uma conclusão simples: Esta eleição ainda tem muita gente para ouvir, muita gente para convencer e muita história para acontecer.
Esperança, agora, é perceber que existem milhões de portas que ainda não foram abertas. E bora começar a bater nelas.
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