Acatamos a liminar da Justiça Eleitoral que determinou a retirada do ar do material audiovisual que apresenta o currículo do candidato Flávio Bolsonaro, mas estudamos um pedido de reconsideração.
A nosso ver, não é questão de atribuir culpa antecipada ou divulgar informações falsas, mas sim de dar o devido nome aos fatos: tratar denunciados e investigados de acordo com sua real condição jurídica é um compromisso com a transparência.
O vídeo limitou-se a expor a trajetória do candidato. Não houve imputação de condenação prévia, mas sim o emprego preciso do termo "denunciado" no contexto do seu histórico público.
Da mesma forma, a referência a "funcionário fantasma" baseia-se em dados concretos. O candidato ocupava um cargo presencial de 40 horas semanais em Brasília no mesmo período em que cursava faculdade e estagiava no Rio de Janeiro — função que, como a própria Câmara confirmou, exigia presença física na capital federal. Trata-se de uma análise crítica fundamentada em fatos objetivos.
O papel da Justiça é coibir excessos, e não ocultar informações de interesse público. Apresentar o histórico dos postulantes a cargos públicos é um dever da campanha e um direito fundamental do eleitor.
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