Não podemos aceitar que mulheres sejam tratadas como mercadorias por homens que acreditam que o dinheiro lhes dá o direito de fazer qualquer coisa.
Hoje, organizações de defesa dos direitos humanos, de proteção às pessoas migrantes e refugiadas, entidades feministas e coletivos de defesa dos direitos das mulheres apresentaram à Procuradoria-Geral da República uma notícia-crime contra Daniel Vorcaro e outros possíveis envolvidos, diante de gravíssimas suspeitas de tráfico internacional de pessoas para fins de exploração sexual.
Tive a responsabilidade de atuar, ao lado de outras advogadas, na elaboração e apresentação dessa notícia-crime, que busca a investigação de fatos gravíssimos revelados pela imprensa.
As denúncias apontam para uma possível rede de recrutamento de mulheres estrangeiras, incluindo refugiadas ucranianas que fugiam dos horrores da guerra, para eventos privados no Brasil e no exterior.
Nas mensagens reveladas pela imprensa, essas mulheres eram chamadas de “kengas” e “escravas”. Há referências a mulheres “doutrinadas”, “obedientes” e até à retirada de seus celulares. Uma jovem refugiada, cuja cidade estava sendo bombardeada, teria sido mantida sob a influência dessa estrutura justamente por não ter para onde voltar.
Estamos falando de suspeitas de exploração da vulnerabilidade de mulheres que buscavam proteção, segurança e uma oportunidade de reconstruir suas vidas.
Como advogada e defensora dos direitos humanos, não poderia me omitir diante de denúncias dessa gravidade.
Nossa iniciativa exige uma investigação rigorosa, independente e com perspectiva de gênero, que identifique e proteja as possíveis vítimas e apure a responsabilidade de todos os envolvidos.
Nenhuma fortuna, influência política ou poder econômico pode colocar alguém acima da lei. A dignidade das mulheres não está à venda!
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