Sempre que vejo pastor fazendo campanha política, eu lembro de um caso envolvendo C. S. Lewis e Winston Churchill.
Em 1951, Lewis recusou uma honraria oferecida pelo Churchill para evitar que sua obra cristã fosse associada a uma posição político-partidária.
Churchill havia retornado ao poder pelo Partido Conservador e ofereceu a Lewis o título de Commander of the Order of the British Empire, uma importante condecoração britânica.
Em 4 de dezembro de 1951, Lewis respondeu ao secretário do primeiro-ministro agradecendo a oferta, mas explicando por que precisava recusá-la.
Em carta, escreveu:
"Há sempre, porém, canalhas que dizem, e tolos que acreditam, que meus escritos religiosos são, na verdade, propaganda antiesquerdista disfarçada. Minha presença na lista de homenageados certamente reforçaria os argumentos dessas pessoas."
Lewis tinha opiniões bastante definidas sobre questões sociais, democracia e governo — ele não estava escondendo as próprias ideias. Mas ele entendia que era importante preservar a independência de seu testemunho cristão diante das disputas partidárias, e que uma condecoração oferecida por um governo conservador poderia alimentar a acusação de que sua apologética cristã servia aos interesses da direita britânica.
Hoje, o chamariam de “isentão”.“Apologeta também é cidadão”, alguns defenderiam. Mas eu gosto da sabedoria do velho literato.
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