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Fernanda e eu vivemos e estudamos em Harvard/Cambridge entre 2012 e 2013 (na foto tirada hoje, ao fundo, estão Boston e o rio Charles que separa as cidades). Éramos casados, sem filhos e vivemos uma rotina intensa de estudos. Nosso objetivo era ampliar nosso conhecimento e repertório para, voltando ao Brasil, fazermos mais e melhor em nosso trabalho, com os talentos que Deus nos deu, em amor e em serviço às pessoas. Eu, na luta por justiça. Ela, na sua empresa. Ela fez mestrado em Management na Harvard Extension School e eu fiz em Direito na Law School. Morávamos num prédio de Harvard e íamos de bicicleta para as aulas, por pouco mais de um quilômetro e meio. Ela fez isso, em boa parte do ano, grávida do nosso primeiro filho, o Thomas. Fizesse chuva ou sol, calor ou neve, pedalávamos para as aulas, às vezes com cuidado para não escorregar no gelo. Nos dias mais frios (com sensação térmica de menos quinze) colocávamos luvas, cachecóis, gorros, jaquetões impermeáveis e lá íamos nós, conscientes de que é um privilégio aprender. O conhecimento liberta. Ter morado aqui nos deu a oportunidade de ter um gostinho de como o Brasil poderia ser melhor em tantos aspectos. Amamos o Brasil, onde está nossa lealdade, e justamente por isso sofremos ao ver o que vem acontecendo no Brasil. Nos EUA, a justiça funciona infinitamente melhor contra a corrupção do que no Brasil. A empresa Trafigura acabou de pagar aqui centenas de milhões de reais por corrupção que ela praticou NO BRASIL (!), enquanto no Brasil não pagou nada. Por que? Porque o STF está garantindo a impunidade dos corruptos. Como não sofrer? Nos EUA, a Suprema Corte não fica de lua de mel com o presidente, não atropela o Congresso, não faz politicagem com indicações políticas e defende, em vez de atacar, a liberdade de expressão. Nos EUA, gasta-se menos com a Justiça (em proporção ao PIB) e ela é muito mais efetiva. Não tem 4 instâncias, não tem recursos sem fim. Bandido vai para a cadeia, tornando a sociedade mais segura. Voltamos hoje para o Brasil com mais clareza no propósito de que não queremos viver num outro país, mas num outro Brasil. E temos muito a fazer para construí-lo.

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