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Desde que publicamos a reportagem da Vaza Toga 2, muitos passaram a direcionar ataques a Eduardo Tagliaferro, ex-chefe da unidade de desinformação do TSE. A maioria dessas críticas vem de quem não entendeu — ou preferiu não entender — o que está realmente acontecendo. Nos últimos dias, Tagliaferro tem dado sinais públicos de que está disposto a falar. Declarou à imprensa que pretende colaborar com investigações e contar tudo o que sabe. Fui o único jornalista a entrevistá-lo no ano passado. E, ao cruzar os documentos da Vaza Toga com o que ouvi naquela conversa, posso afirmar: ele resistiu como pôde — dentro dos limites impostos pelo cargo. Um caso emblemático é o da Revista Oeste. Em dezembro de 2022, um juiz instrutor do gabinete de Alexandre de Moraes sugeriu que ele “usasse a criatividade” para justificar a inclusão da revista em um relatório de desinformação. Tagliaferro respondeu que só havia encontrado conteúdo jornalístico — e era verdade. Mesmo sob pressão, tentou contornar a situação sem fabricar acusações. Sobre as certidões do 8 de janeiro: Tagliaferro não as redigiu. Apenas as assinou, com o objetivo de proteger sua equipe, que vinha sendo alvo de forte pressão interna. Ainda que tenha feito parte — direta ou indiretamente — da engrenagem de perseguição montada no TSE, Tagliaferro pode ser peça-chave para revelar como esse sistema funcionava por dentro. E pode ser apenas o primeiro. Há outros. Inclusive alguns que ainda permanecem lá dentro. Como já disse antes: todo mundo é bem-vindo no time da liberdade e da verdade. É bastante provável que, se Tagliaferro começar a falar, outros ganhem coragem para denunciar o que viram. Esses ataques só atrapalham esse processo. A história ainda está sendo escrita e julgará quem é quem.

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