A esquerda adora um tapetão e a decisão ilegal de Flávio Dino é só mais uma de várias.
Em 8 de julho de 2018, um domingo, o desembargador Rogério Favreto, do TRF-4, atuando como plantonista em Porto Alegre, concedeu habeas corpus a Lula, então preso pela Lava Jato, determinando sua soltura imediata. Ele acatou pedido apresentado na véspera pelos deputados petistas Wadih Damous, Paulo Teixeira e Paulo Pimenta — que, segundo a Folha, buscaram justamente o plantão ao saber que Favreto, ex-filiado ao PT e doador de campanha de Pimenta, seria o desembargador de turno.
Favreto reiterou a ordem de soltura três vezes ao longo do domingo, mas cada uma foi sucessivamente contestada. O desembargador João Pedro Gebran Neto, relator natural do caso na Lava Jato, suspendeu a primeira decisão. À noite, o presidente do TRF-4, Carlos Eduardo Thompson Flores, encerrou a disputa com decisão monocrática própria, declarando que a competência para julgar o caso era de Gebran Neto, não de Favreto — e Lula permaneceu preso.
Em 9 de maio de 2016, o deputado Waldir Maranhão (PP-MA), que havia assumido a presidência interina após o afastamento de Eduardo Cunha pelo STF, anulou por conta própria as sessões de 15, 16 e 17 de abril daquele ano — justamente as sessões em que a Câmara havia aprovado a continuidade do impeachment de Dilma Rousseff. Ele atendeu a um recurso da própria AGU de Dilma, e determinou que o processo fosse devolvido pelo Senado à Câmara para nova votação.
Renan Calheiros, então presidente do Senado, classificou a decisão de "brincadeira com a democracia" e simplesmente não a cumpriu, mantendo o processo em tramitação normal na Casa. Poucas horas depois, na mesma noite, sob pressão intensa, o próprio Waldir Maranhão revogou sua própria decisão, e o impeachment seguiu adiante — sendo votado no Senado dois dias depois.
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