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Alguns que não conhecem o meu trabalho podem achar que só agora defendo o Sul livre por causa do resultado de ontem. NÃO. Há anos denuncio a exploração do Sul. Sou autor da PEC do Pacto Federativo. Rodei mais de uma dúzia de estados (de todas as regiões) apresentando e defendendo autonomia para os estados brasileiros. Alguns pontos que sempre levei nessas apresentações: 1- Santa Catarina tem apenas 16 deputados federais em um total de 513. 2- O voto catarinense vale muito menos. Segundo dados do TSE para 2026, em Santa Catarina são necessários cerca de 357 mil eleitores para eleger um deputado federal. No Amapá, bastam cerca de 72 mil; e no Acre, cerca de 77 mil. 3- O Sul tem apenas 9 senadores. Isso representa 11% das cadeiras do Senado, apesar de o Sul ter cerca de 14,7% da população brasileira (IBGE 2026). 4- Nenhum presidente do Senado desde a Constituição de 1988 é do Sul. 5- Peso político desproporcional nas decisões nacionais. Com 16 deputados e 3 senadores, as prioridades de Santa Catarina têm peso reduzido em votações de orçamento, reformas e PECs. 6- Efeito combinado Câmara + Senado. O Sul (14,7% da população) soma 77 deputados federais e 9 senadores. O Nordeste sozinho soma 151 deputados e 27 senadores. Além da baixa representação na União, nosso sistema federativo é absurdamente CENTRALIZADO: 1- O art. 22 entrega à União quase tudo que importa. Essas matérias cobrem contratos, crimes, relações de trabalho, educação, previdência, energia, internet, transporte e quase tudo que afeta o dia a dia. 2- Na legislação concorrente (art. 24), a União tem a última palavra. Mesmo nas matérias concorrentes (tributário, financeiro, penitenciário, meio ambiente, educação, cultura, saúde, infância, polícias civis etc.), a União fixa as normas gerais. Na prática, o estado só legisla no que sobra depois que Brasília fala. A competência residual dos estados é o que sobra depois de tudo 3- A competência residual dos estados é praticamente irrelevante. O art. 25, § 1º, reserva aos estados “as competências que não lhes sejam vedadas”. Isso soa amplo, mas na prática o que resta é a administração de gás canalizado e a criação de regiões metropolitanas.

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