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Ninguém nunca teve a coragem de olhar no olho da população brasileira e falar: a culpa também é tua. Você 🫵 também vai pagar a conta. Desde que eu criei o Manual da Economia, mais de 2 anos atrás, o meu diagnóstico acerca dos problemas econômicos brasileiros se mantém: O fracasso da economia brasileira é um projeto tanto da esquerda quanto da direita, que quando postas contra os problemas REAIS se recusam a reconhecer os custos a serem pagos para consertar o Brasil. Sempre há uma solução mágica, uma proposta nova, um plano pra consertar tudo sem que doa pra ti. Tu que votou nesses imbecis que ocupam a Câmara dando emenda pra fazer show em cidade minúscula. Tu que votou em Arthur Lira, Ciro Nogueira, Alcolumbre, Pacheco. Foi através dos teus votos que o problema fiscal que a gente tem e a bomba na previdência se criaram. E agora que tu viu que vai dar merda, tu quer a benzetacil sem que doa a bunda. E isso não existe. Mas como falar a verdade e chamar as pessoas de burras não dá voto, nada muda. E o brasileiro médio pode continuar votando que nem um quadrúpede e reclamar no ano de eleição que político é tudo ladrão. Ou pior, escolher o seu bandido preferido e defender o voto nele esperando que algo vá mudar mesmo que o melhor argumento que tu tenha seja “ah, então tu prefere que o outro cara ganhe”. Meu canal, na minha visão, cresceu por um motivo: em cima de uma análise econômica didática boa, eu falava o que precisava ser dito, mesmo que ninguém quisesse aceitar. Quase todos os meus vídeos terminavam com dois diagnósticos: nada vai mudar e a culpa também é sua. E eu sempre achei que fosse suicídio político falar o que eu falava. Nenhum prefeito, deputado, muito menos presidente falaria isso. É bom estar errado de vez em quando. Nas últimas semanas, Renan Santos tem, pra além da campanha, ido em rede nacional no momento de maior visibilidade possível e dito: •“Sou contra o fim da escala 6x1, posso perder votos mas não vou mentir pra vocês.” •“Vamos ter que fazer outra reforma da previdência.” •“Temos que desindexar a aposentadoria do salário mínimo.” •“Temos que desvincular os gastos com saúde e educação da receita.” Pode prestar atenção: todos os outros candidatos da direita sugerem que o problema dá pra ser resolvido só “cortando mamata”, “abrindo a economia”… e embora essas coisas sejam boas e o Renan também as defenda, não dá pra fechar as coisas no verde só com isso. Vai doer pra população, vai doer para os aposentados. E ele é o único citando os efeitos colaterais antes de te dar o remédio. Hoje, no Jornal Nacional há, pela primeira vez em muito tempo, uma proposta econômica sincera com os custos e as consequências. E uma hierarquia clara e bem definida de prioridades, num país que mata mais gente por ano do que muita guerra em curso no mundo. É, em minha opinião, justamente o que precisamos. Por muito tempo eu desacreditei na capacidade da política de produzir um discurso assim, e agora fui surpreendido. A única surpresa que falta, a esse ponto, é saber se diante do que precisa ser feito, a população brasileira vai entender sua responsabilidade no dia 4 de outubro.

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