Vergonha Suprema
Andrei Rodrigues alegou que seu afastamento prejudicaria investigações. Dino aceitou a justificativa e o reconduziu. Desde quando a Polícia Federal depende de um único homem para funcionar? Se depende, o problema é bem maior do que um afastamento.
E a suspeita aqui não é qualquer uma. A própria PF produziu seis relatórios sobre a atuação de André Mendonça. Um deles não tinha timbre nem assinatura. A inteligência da própria corporação o classificou como de baixa confiança e "sem valor probatório". Mesmo assim, o documento fazia ilações políticas a partir da religião evangélica do ministro.
Diante disso, Mendonça afastou cautelarmente a cúpula da PF e levou a decisão ao colegiado. Dino, em outro processo e por decisão individual, devolveu os afastados aos cargos antes de o julgamento terminar.
Quando uma polícia usa a fé de um ministro para insinuar contra ele, e a resposta institucional é devolver imediatamente o comando a essa mesma cúpula, aparência e protocolo já ficaram para trás. Os freios que deveriam limitar o poder do Estado foram soltos, e foram soltos justamente por quem tinha o dever de segurá-los.
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