MEU FILHO PALESTINO
Em 2015, percorri Israel na companhia do meu filho Matheus. Chamou a minha atenção a quantidade de vezes em que ele foi parado nas ruas por soldados israelenses.
Assim que ele respondia em inglês às perguntas que lhe eram feitas, eu percebia que pelo seu sotaque os soldados se certificavam de que ele não era o tipo de pessoa sobre a qual exerciam vigilância.
Ao chegar num campo de refugiados palestinos, conversei com um membro da autoridade palestina sobre o ocorrido, ao que ele me respondeu: “eles o fizeram porque seu filho é um dos nossos, ele se parece com o nosso povo”.
Essa foi uma das inúmeras experiências que tive em Israel, país ao qual visito desde o início dos anos 90, que me convenceram do fato de que não há como aquele tipo de organização social dar certo. Somente a criação de um estado palestino para estabelecer a paz na região.
Mais dois pontos. Essa foto foi batida por mim na viagem que fizemos. Até onde sabemos, não há sangue árabe na nossa família.
Estamos perante importante lição histórica: sociedades podem estar estruturadas de uma tal forma que o conflito entre os seres humanos torna-se inevitável.
Por força desse mesmo motivo, temos tantas mortes no Brasil, país no qual a vida humana não tem valor, e que por esse mesmo motivo tolera a exploração da mão de obra da classe trabalhadora, a concentração de riqueza, a desigualdade de oportunidade de vida, o abuso de autoridade.
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