Eu vi o vídeo da Paula Burlamaqui falando de seu medo de não ter ninguém pra cuidar dela na velhice. Estou lendo muitas pessoas fazendo comentários que muito me impressionam. É uma situação hiper complexa, que envolve mil variantes e camadas, mas mesmo assim as pessoas julgam com uma precisão incrível.
Na minha realidade, no meu mundo, esse medo é muuuuuuuito comum. Canso de ouvir QUEM VAI CUIDAR DE MIM e confesso que esse é um medo que tira o sono.
As soluções que as pessoas dão são incríveis: JUNTA UM DINHEIRINHO e paga uma casa de repouso. Se junte com amigos, façam uma vaquinha e criem uma vila para todos viverem juntos. Seja uma ótima pessoa que você nunca estará sozinho... Tudo muito fácil e simples, né? Como é que ainda tem gente sozinha se existem tantas dicas infalíveis como essas? Como não pensei nisso, gente!!?? Todo mês eu deixo de comer, guardo um dinheiro e pago uma vaquinha pra construir um SPA com meus amigos. Genial.
Eu cuido da minha mãe. Por amor, por afeto, por gratidão e por obrigação. E essa obrigação é pesada, dolorosa, triste, cansativa, mas também é um carinho que faço em mim por saber que mesmo com imensas dificuldades eu estou ali pra minha mãe. Eu não posso te dizer que TODOS OS FILHOS TEM OBRIGAÇÃO DE CUIDAR DOS PAIS, mas acho que também ninguém pode dizer que uma mãe não deve criar um filho esperando que ele cuide dela na velhice. Minha relação não pode ser um parâmetro para o mundo todo, mas também não dá pra me dizer que é egoísmo uma mãe ou um pai quererem que filhos cuidem deles. Cuidar é muita coisa, gente. Cuida-se do outro de muitas formas. Eu não sei quem vai segurar minha mão aos setenta anos e se eu tivesse um filho seria lindo poder contar com alguém que "se sentisse na obrigação" de me prestar um carinho sincero.
Aí o filho não tem obrigação de cuidar de pais, os amigos não tem que cuidar dos amigos... Então as relações só se sustentam em bônus? Cada um tem seus tratos, seus esquemas, seus medos. Tudo bem você querer que seus filhos não cuidem de você, mas não consigo demonizar alguém que verbaliza um medo absolutamente comum. Não consigo discutir isso de uma forma tão simplória.
Mas é aquele ditado, né? " Oi e tchau".
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